Guia verificado · agosto de 2026

Como saber se seu pai ou sua mãe deixou seguro de vida — e o que mais fica parado

Quando alguém morre, sobra dinheiro espalhado em lugares que não se conversam. Seguro, previdência, FGTS, contas antigas. Cada órgão responde só pelo seu pedaço, e ninguém avisa a família de nada.

Esta página reúne o que existe, onde se consulta e — o que quase ninguém sabe — o que dá para receber sem esperar o inventário.

3 anos É o prazo para reclamar um seguro de vida individual depois da morte. Passou, prescreve. A seguradora não tem obrigação de avisar o beneficiário — o sistema depende de a família procurar.

O que sai rápido, sem inventário

Camada 1 · dias a semanas
Previdência privada (PGBL e VGBL) É o mais esquecido e costuma ser o maior valor. Não entra em inventário. O beneficiário recebe em cerca de 30 dias apresentando a certidão de óbito — e pode ser até alguém que não é herdeiro obrigatório.
Seguro de vida Documentos do falecido e da família. É aqui que corre o prazo de 3 anos.
FGTS, PIS/PASEP e saldo em conta — quando há dependente habilitado no INSS Se o falecido tinha dependente já habilitado na Previdência, o saque é direto, sem passar por juiz.
Camada 2 · 30 a 90 dias, sem inventário
FGTS, PIS/PASEP e conta — quando NÃO há dependente habilitado A Lei 6.858/80 permite um alvará judicial que libera esses valores sem abrir inventário. Pede-se na vara cível do último domicílio do falecido. Leva de 30 a 90 dias em média.
Camada 3 · só depois do inventário
Restituição de Imposto de Renda Exige a Declaração Final de Espólio processada e depois pedido no e-CAC. Atenção: valor não sacado em 1 ano volta ao Tesouro e o resgate depois disso exige processo administrativo à parte.
Valores a Receber (Banco Central) A consulta pode ser feita antes, mas a devolução exige o inventário concluído — e não há prazo definido para as instituições responderem no caso de falecido.

Onde consultar, um por um

Seguro de vida

Use a Consulta de Beneficiários de Seguro de Vida, da SUSEP: você informa nome, CPF e data de nascimento do falecido, anexa a certidão de óbito e o seu documento, e aguarda o retorno das seguradoras.

Cuidado com a confusão mais comum: existe outro sistema, o Localizador de Apólices, que exige conta gov.br Prata ou Ouro. Aquele consulta apenas o seu próprio CPF — não serve para pesquisar um falecido. Muita orientação na internet mistura os dois.

Um segundo caminho é a CNseg, que faz a busca junto às seguradoras associadas mediante envio de documentos.

Previdência privada

Se for previdência aberta — a que se contrata em banco ou seguradora — ela aparece no relatório de produtos da SUSEP vinculado ao CPF, pelo gov.br. A consulta é pública e gratuita.

Se for fundo de pensão fechado, aquele que a empresa oferecia aos funcionários, não existe consulta central: é regulado pela PREVIC e a informação só sai indo direto na antiga empregadora. Por isso vale reconstruir onde a pessoa trabalhou — carteira de trabalho, contracheques antigos, o que a família lembrar.

Sobre imposto: valores de VGBL recebidos por morte tendem a ser isentos, porque o produto é tratado como seguro. Já o PGBL é rendimento tributável para quem recebe.

PIS/PASEP

O antigo fundo foi extinto em 2020, mas o resgate continua aberto: o pedido pode ser feito até setembro de 2028, e o herdeiro tem uma janela de cinco anos. A consulta é pelo Repis Cidadão ou pelo aplicativo do FGTS.

O pagamento segue um calendário mensal — pedidos feitos até o fim de um mês são pagos por volta do dia 25 do mês seguinte.

Valores a Receber

O único site oficial é valoresareceber.bcb.gov.br. Você entra com a sua própria conta gov.br — nível Prata ou Ouro, com verificação em duas etapas ligada — e não com a conta de quem faleceu. Depois procure a opção Valores para Pessoas Falecidas e informe o CPF e a data de nascimento dela.

A pegadinha: para falecido, o portal não permite pedir a devolução. Ele mostra a faixa de valor, a origem, a instituição que deve o dinheiro e o contato dela. Receber exige procurar a instituição diretamente, e é ela quem define a documentação e o processo.

Cartório, testamento e imóveis

Dois sistemas que quase ninguém conhece e que costumam destravar o resto:

O CENSEC integra os tabelionatos do país inteiro e mostra se existe testamento, escritura ou inventário no nome da pessoa. Descobrir um testamento depois de iniciada a partilha muda tudo — vale consultar antes.

O SREI permite pesquisar imóveis registrados por CPF, útil quando a família não sabe se havia bem em outra cidade.

Histórico de trabalho (para achar o que ninguém lembra)

O extrato do CNIS do falecido pode ser obtido pelo herdeiro: liga-se para o 135 para agendar, e comparece-se à agência do INSS com a certidão de óbito e um documento que comprove o parentesco. Advogado com procuração consegue pelo atendimento virtual.

Antes de qualquer coisa: ninguém cobra para liberar esse dinheiro

Existe gente aplicando golpe exatamente nesse momento, cobrando "taxa de liberação" de família enlutada. Nenhum órgão e nenhuma seguradora cobra para pagar o que é seu.

As consultas da SUSEP são públicas e gratuitas. A do Banco Central também. Se alguém pedir pagamento antecipado para destravar um valor, é golpe.

E ninguém precisa da sua senha do gov.br. Nenhuma das consultas acima exige entregar senha a terceiro.


Como você quer seguir

As duas opções abaixo levam à mesma informação. A diferença é quem faz o trabalho.

Eu mesmo faço A lista completa em ordem, com o que pedir em cada órgão e os documentos de cada etapa. Aparece aqui na hora, sem custo.
Façam por mim Você envia os dados uma vez e recebe um relatório com o que existe, onde está e o que dá para receber sem inventário.

Quem está por trás disto

Esta página é feita pela equipe da Zélia (falazelia.com.br), um serviço que liga todos os dias para pessoas idosas e conta para a família como elas estão. A mesma equipe mantém o AgroDoc AI — por isso o e-mail de contato termina em agrodocai.com.br.

Somos poucos e isto é novo. Montamos esta página porque a informação existe, mas está espalhada em cinco órgãos que não conversam entre si — e quem precisa dela normalmente acabou de enterrar o pai ou a mãe e não tem cabeça para caçar procedimento.

O que fazemos: reunimos onde consultar, em que ordem, e o que sai sem esperar o inventário. Se você pedir, fazemos essa busca para você.

O que não fazemos: não somos advogados e não damos consultoria jurídica. Não entramos com processo, não pedimos alvará e não sacamos nada em seu nome. Não cobramos para procurar nem para liberar valor — e nenhuma consulta desta página precisa da sua senha do gov.br.

Dúvida, correção ou reclamação: marketing@agrodocai.com.br. Se você encontrar erro em alguma informação daqui, avise — corrigimos e datamos.